
Túlio Pinto | Espera | 2011 | 160 x 128 x 80 cm | placas de concreto e balõe
Túlio Pinto, brasiliense radicado em Porto Alegre há uma década, trata da transformação das coisas pela ação do tempo. Ele estrutura a poética de seus trabalhos em estreita relação com as características dos materiais que utiliza. Peso, rigidez, fragilidade e elasticidade são os pontos focais de seu discurso visual. A potência metafórica surge, paradoxalmente, da precariedade e impermanência que instaura.
Interessa a Túlio explorar as metáforas embutidas nas leis da física, que agem nas delicadas paredes de látex das bexigas coloridas, pressionadas por grossas placas de concreto. A dinâmica desse convívio entre naturezas opostas e, mesmo assim, estranhamente complementares, estabelece um lugar imantado de tensões. Algo parece respirar, esgotar-se lentamente como um suspiro. Respiração agônica que precisa ser examinada com cuidado, várias vezes, em diversas ocasiões. Quase como quem ausculta com piedosa compaixão a nós mesmos, urbanóides cercados de pesadas estruturas do viver.
Angélica de Moraes
Setembro de 2010
Trecho do texto escrito para a exposição Paralelo 30 – Sesc Pompéia - SP

0 comentários:
Postar um comentário